Missão Angola

    Ir em missão para Angola foi algo marcante demais em minha vida. Lá aprendi que adoração, independe de ter ou não bens materiais, mas que ser nobre e fazer parte da realeza, tem a ver com a fonte que jorra dentro de cada um.

Que tipo de água jorra dentro de você? A da vida ou da morte?

     Alguns perguntam por que ir a Angola se nós temos também uma África dentro do Brasil, ou se temos tanta pobreza no Brasil? A questão não é a necessidade de Angola porque temos também aqui. É porque a Igreja nasceu missionária.

   Angola é um lugar especial, embora todo ambiente ainda respire  guerra, fome e miséria, há um povo lá que contagia com sua fé.

    O trabalho na cidade onde nós estávamos, não foi nada fácil, embora fosse um local tipicamente urbano.

  Talatona faz parte da Grande Luanda, como Viana,  Os problemas também são de uma cidade grande, como falta de hospitais, falta de escolas, de saneamento básico. Isso é em toda Luanda, principalmente, na periferia, em especial em Mulenvos de Cima, local onde estivemos todos os dias no projeto Esperança Brasil Angola realizando atividades com as crianças e treinamentos com os professores do projeto e ministrando a Palavra na igreja que existe no projeto aos domingos.

       Angola é hoje um canteiro de obras, está se reconstruindo.       Com o final da guerra, muitos voltaram para as suas aldeias e começaram a reconstruir as casas, refazer as roças e se criou, assim, uma certa estabilidade, mas muitas outras pessoas que haviam saído das zonas rurais durante a guerra, foram e ficaram na capital, pois o governo aceitou que as pessoas ocupassem a periferia de forma irregular. Então, hoje, a periferia é um mar de casinhas e enfrenta os problemas de um crescimento irregular. Praticamente um terço da população de Angola está em Luanda. A Grande Luanda tem 5 milhões de habitantes atualmente. 

     A questão cultural é algo muito forte e que ainda afeta no desenvolvimento da vida espiritual, emocional e profissional, por exemplo o casamento, pois tem a questão da bigamia, as crianças que são abandonadas pelos pais por acharem que elas são bruxas, entre outras histórias inimagináveis.

    A ociosidade dos jovens é algo impressionante, embora sejam interessados em aprender, não tem muito o que se fazer, principalmente, porque as escolas do governo não oferecem recursos.

   A maioria das mulheres são donas de casa, e também vendem algo na rua, espalhando suas mercadorias pelo chão tentam ganhar o sustento de sua casa, pois muitas são viúvas ou separadas do maridos.

        Algo que me chamou  atenção foi que elas carregam  nas costas seus filhos para todo lado, e o dia todo. Muitas crianças doentes e desnutridas em Angola.

      Há também muito desemprego por falta de capacitação. Homens e mulheres sem formação profissional e sem perspectiva em suas vidas profissionais.

   Contudo, com todo esse cenário, eu vi um povo Empreendedor, que tira de onde não se tem nada e sobrevive. Que sorrir, quando olhos querem chorar; que abraçam, quando querem correr;  que tem fé, mesmo não vendo saída.

          Um povo forte, que luta, que vive que empreende e que merece nosso olhar e ajuda.

Empreender é ser fonte de vida para outros!

Comentários

Postagens mais visitadas